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   English - Português Casual Auditores na Mídia Forbes Brasil - 09/09/2005

EM BUSCA DO GOL DE COFRE
Genial dentro de campo e grande exportador de craques, nosso País do
Futebol ainda não conseguiu uma vitória sobre a rentabilidade


Por WALLACE NUNES


Com estádio e caixa cheios, o inglês Manchester United é o time mais lucrativo do planeta e vale US$ 1,2 bi.

       Neste nosso País do Futebol, a cada dia surgem novos talentos, muitos dos quais sérios candidatos a estrelas do relvado.Há décadas esta terra desenvolve a genialidade em jogadas e movimentos no esporte trazido ao Brasil pelo inglês Charles Miller.A competência com que os nossos atletas brasileiros tratam a bola emociona - às vezes, às lágrimas - os estrangeiros que assistem aos jogos da Seleção Brasileira ou mesmo de qualquer clube tupiniquim. Porém, fora de campo,principalmente no que se refere a marketing esportivo, o futebol brasileiro ainda se encontra na fase de aprendizado. Especialmente se comparado com países onde o esporte se tornou uma paixão nacional por força da divulgação e promoção da marca do clube e do culto à personalidade dos seus atletas - tudo visando o aumento de suas receitas. Para se ter uma idéia clara disso basta considerar que o Manchester United, o maior clube do mundo, vale US$ 1,2 bilhão enquanto o São Paulo Futebol Clube (atualmente o mais valorizado do País) não chega a valer um quarto deste montante.

       Mas, aos poucos, essas mesmas lideranças parecem sentir a necessidade de profissionalização total. Sentir necessidade, entretanto, não quer dizer se profissionalizar de fato - sobretudo na área de marketing - para gerar superávits em suas receitas.Ainda hoje,em plena era da competitividade,dirigentes da grande maioria dos clubes de futebol fazem uma administração um tanto quanto amadorística e a fórmula, de acordo com analistas,deve persistir.Pois só assim há desculpas para maus resultados, prejuízos e falta de transparência administrativa no mundo da bola.

       Recentemente, um estudo feito pela Casual Auditores Independentes revelou a situação contábil de 19 clubes de futebol do País que possuem receitas totais superiores a R$ 15 milhões ao ano. O levantamento foi realizado entre 2003 e 2004, e nele foram analisadas as contas de seis clubes de São Paulo,quatro do Rio de Janeiro, três do Rio Grande do Sul,dois de Minas Gerais,dois do Paraná e dois da Bahia. O resultado foi que nos últimos dois anos os times avaliados geraram entre R$ 825,75 milhões e R$ 628,34 milhões em receitas, que representaram 2,75% do total da indústria do esporte no Brasil e 0,047% do PIB brasileiro em 2004. O número chega a ser insignificante se comparado aos podoresos clubes europeus.Ano passado apenas o Manchester United, clube agora pertencente a um bilionário norte-americano, registrou receita líquida de R$ 900 milhões."Para um esporte considerado número 1 do Brasil é claro que as receitas geradas pelos 19 clubes do País é irrisória.Mas deve-se levar em conta que a realidade econômica entre Brasil e a Europa é diferente. Mesmo assim, estamos mudando nosso bench-market e encontrando uma fórmula brasileira para melhorar as receitas", afirma Alex Fernandez , diretor de marketing do Santos Futebol Clube.

       O estudo feito com os 19 times indicou ainda que do total de receitas obtidas em 2004,26% dos clubes faturaram mais de R$ 60 milhões, 32% entre R$ 30 milhões e R$ 59 milhões e 42% menos de R$ 30 milhões, e a receita média por clube foi de R$ 43,46 milhões. No ano de 2003, apenas o São Paulo Futebol Clube - time que recentemente conquistou o inédito tricampeonato da Taça Libertadores da América, torneio considerado o mais rentável para os clubes de futebol do Brasil - gerou receitas superiores a R$ 60 milhões, 6% do total analisado e a receita média por clube foi de R$ 34,9 milhões.

       As principais fontes de receitas desses times,cerca de 70% do total arrecadado no ano passado, foram provenientes da negociação de atletas,cotas de TV e patrocínio, segundo a Casual.Para alguns clubes,a venda de jogadores para outros países foi a receita que mais gerou benefícios para as equipes, chegando a até 65% do seu caixa. O estudo mostrou também que fontes de receitas tradicionais dos clubes de futebol, como a venda de ingressos registraram 7% em média do total arrecadado.